terça-feira, 28 de outubro de 2008

Partir comprimido ao meio pode ser prejudicial ao paciente


Estudo realizado por farmacêuticos magistrais brasileiros (ou de manipulação, como também são conhecidos) verificou a existência de grande variação de peso e teor de princípio ativo quando os comprimidos são partidos. No trabalho, pode-se ver que a partição de comprimidos mostra uma combinação de aspectos favoráveis e desfavoráveis, embora tenha sido feita sob condições rigorosamente controladas. A conclusão é um alerta para os médicos: a partição do comprimido ao meio é prejudicial ao paciente, especialmente se o produto for de liberação sustentada, ou seja, o remédio é liberado durante todo o dia no organismo ou se tem como objetivo atingir uma área específica, antes de se dissolver. Dessa forma, a posologia não fica garantida, o que pode comprometer o tratamento e a saúde do paciente.

O trabalho “Cápsulas Magistrais: uma alternativa viável para a partição de comprimidos de liberação imediata de 40mg de Furosemida e de 25mg de Espironolactona comercialmente disponíveis no mercado nacional” aponta que uma das alternativas mais apropriadas para contornar o problema da divisão é recorrer ao setor de manipulação, capaz de aviar cápsulas contendo o medicamento, na dosagem correta prescrita pelo médico. Tal procedimento é uma das vantagens da farmácia de manipulação e um dos principais aspectos que caracterizam o setor: a personalização e individualização do tratamento. O estudo está entre os ganhadores do Prêmio Farmag de 2006 e seus responsáveis são Denilton da Silva Costa, farmacêutico do Centro Universitário Nove de Julho – Uninove (SP); Gilson Bento de Oliveira, aluno do curso de Farmácia do Uninove; Rodrigo José Lupatini Nogueira, professor de Farmacotécnica da Universidade Presidente Antonio Carlos – Unipac (MG); e Vanessa Alves Pinheiro, professora de Farmacotécnica e Tecnologia Farmacêutica e de Cosméticos do Uninove e da Unipac.

Na introdução, os autores destacam que partir ou dividir comprimidos tem sido uma prática adotada há muitos anos para a obtenção da dose prescrita de uma determinada medicação. A divisão pode ocorrer quando o paciente quer obter a dose requerida, porém não encontra no mercado o medicamento disponível nesta concentração; em casos de regime, quando ocorre o aumento ou diminuição gradual da dose; o início de terapia com a dose mínima possível capaz de reduzir os efeitos adversos ou também para medir uma resposta individual do paciente.

Idosos e crianças

Pacientes idosos ou crianças que necessitam de doses reduzidas nem sempre conseguem fazer uso de medicamentos líquidos. Ou este último pode não trazer benefícios para o esquema terapêutico. Se comprimidos com doses menores não se encontram disponíveis no mercado, diversos pacientes podem recorrer à divisão para conseguir a dose desejada. Além de obter, teoricamente, a quantidade prescrita, o paciente economiza dinheiro, o que torna a prática da divisão do comprimido um grande atrativo. Entretanto, esta relação custo-benefício deve ser avaliada, uma vez que durante o processo podem ocorrer perdas durante a partição e outros possíveis efeitos negativos relacionados à qualidade do medicamento a ser administrado.

Segundo os farmacêuticos, o grau de irregularidade após a quebra de um comprimido pode estar relacionado a diferentes fatores, dentre eles, o tamanho, a forma e a presença ou a ausência de sulcos. Alguns, mesmo com a presença destes vincos, podem não se quebrar facilmente em duas partes de igual tamanho. Comprimidos que apresentam sulcos são usualmente considerados pelos fabricantes como destinados à divisão e muitos deles contêm vincos.

Contudo, nem todos aqueles que apresentam sulcos podem ser partidos, apesar de muitas pessoas acreditarem que esta seja a função do sulco. Isto somente deve ser considerado quando houver a recomendação médica para partir. A forma irregular dos comprimidos pode dificultar a divisão em partes equivalentes.

Diante deste quadro, o objetivo do trabalho foi verificar se a partição de comprimido ao meio pode afetar a posologia. O estudo foi desenvolvido com comprimidos sulcados, referência e genérico, contendo 40mg de furosemida e referência contendo 25mg de espironolactona, os quais foram pesados e doseados individualmente, antes e depois de serem partidos de acordo com as técnicas preconizadas pela Farmacopéia Brasileira IV e pela United States Pharmacopoeia 29 edition.

Produtos são do Programa Farmácia Básica de Medicamentos

Os fármacos furosemida e a espironolactona foram escolhidos, porque, além de possuírem técnicas relativamente simples de doseamento, fazem parte dos medicamentos que são ofertados, mediante prescrição médica, de maneira contínua pela rede básica de saúde, de acordo com o Programa Farmácia Básica de Medicamentos, que distribui às unidades de saúde dos municípios uma cesta composta por várias classes de fármacos. Os diuréticos de alta potência são eficazes no tratamento de edema de origem cardíaca, hepática ou renal. A via oral deve ser usada, a menos que seja impraticável ou que a situação clínica exija uma diurese rápida; em tais casos deve ser empregada a administração intravenosa ou intramuscular. Esses diuréticos têm sido também usados em pacientes com insuficiência renal aguda precoce.

A furosemida pode ser encontrada na forma de comprimidos de liberação imediata na dosagem de apenas 40mg. A mesma é absorvida rapidamente, sendo eliminada por secreção tubular, bem como por filtração glomerular. Sua absorção é de 2 a 3 horas sendo quase tão completa quanto à de sua administração intravenosa e a duração de seu efeito é habitualmente de 2 a 3 horas, a meia vida depende da função renal. A espironolactona é encontrada na forma de comprimidos de liberação imediata na dosagem de 25, 50 e 100mg. É um diurético poupador de potássio, anti-hipertensivo, utilizado como adjuvante no tratamento da hipertensão arterial. É extensivamente metabolizado no fígado com uma biodisponibilidade que excede 90%. A eliminação dos metabólitos ocorre principalmente através da urina.

Autora: Vanessa Pinheiros
Fonte: Anfarmag

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